quinta-feira, 1 de Novembro de 2012

Defeitos e virtudes da democracia

A propósito da questão que coloquei aos alunos AQUI, foi realizado um debate na aula.

Os argumentos a favor e as críticas ao regime democrático, referidos na discussão, foram resumidos pela aluna Andreia Baião, a quem agradeço.

Ei-los:

Críticas:

- promessas não cumpridas: o que é executado na prática não corresponde ao que é dito pelos políticos durante as suas campanhas;

- algumas leis não vão ao encontro da opinião da maioria, isto é, nem sempre expressam ideias aceites pela maior parte dos eleitores. Um exemplo da actualidade: a aplicação das medidas da Troika em Portugal. Um exemplo menos recente: a legalização do aborto em Portugal. Apesar do resultado do referendo ter sido maioritariamente favorável,  como existiu uma elevada abstenção, este muito provavelmente não corresponde ao ponto de vista da maioria;

- utilização de argumentação falaciosa (argumentos inválidos quanto à sua forma e/ou quanto ao seu conteúdo, mas que parecem válidos), por parte dos políticos nas suas campanhas, apelando às emoções dos cidadãos, em vez de fornecerem informação política factual e rigorosa para que estes tomem decisões racionais na hora de votar – manipulação e não discussão de ideias e factos políticos;

- muitas vezes, alguns cidadãos não têm capacidade para analisar correctamente os programas políticos e acabam por votar com base em motivos não racionais (opinião das pessoas mais próximas, informação exposta nos media, etc.);

- tráfico de influências (corrupção): os políticos acabam por ceder a influências de maneira a favorecer os seus interesses (ou de pessoas que lhes são próximas) e não os interesses dos cidadãos que representam;

- por vezes, são eleitos os políticos que melhor manipulam e não os que têm uma formação adequada de modo a lidar com os problemas do país e resolvê-los.

- a corrupção política e a má gestão dos governantes reflecte-se na economia do país e na vida dos cidadãos.

Argumentos a favor:

- liberdade política, liberdade de expressão e igualdade perante a lei;

- mecanismos de controlo para garantir a defesa dos direitos dos cidadãos e fiscalizar a ação do governo;

- são os cidadãos no ato eleitoral que decidem quem querem que os represente – livre escolha, ao contrário dos regimes não democráticos, onde as pessoas têm de aceitar, sem direito de escolha, os chefes de governo (reis ou ditadores);

- o sufrágio universal permite que os políticos prestem contas: caso não cumpram devidamente as suas funções, os eleitores podem no ato eleitoral ‘’puni-los’’ e votar noutro candidato – existência de mecanismos de controlo da ação política.

Andreia Baião, 12º E

1 comentário:

  1. Espero que os alunos hajam sido confrontados com o facto de que quase todos os argumentos contra a Democracia são comuns às não democracias... só que nelas o assunto não é tratado nos "media"!

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